Não posso afirmar, contudo, que minha primeira impressão tenha sido de celebração. Acredito que só festejaria quando essa data não mais existir. Isto significaria que, finalmente, os voluntários não são mais necessários. A humanidade é pacífica, convive em harmonia com a Terra e todos os outros seres vivos- todos são tratados com dignidade, respeito e possuem tudo o que é necessário para viver em paz. O mundo é finalmente, um lar para todos.
Sabemos que não é assim. E não tem sido assim por séculos.
Durante a reunião do Clube 25 realizada no dia 28, tivemos a oportunidade de conhecer através do documentário Shake hands with the devil: The journey of Roméo Dallaire a experiência tocante e traumática do General Roméo Dallaire durante sua missão na guerra civil de Ruanda. E este foi apenas um pequeno retrato dentre inúmeros que ilustram catástrofes semelhantes, ou ainda maiores que já ocorreram e que ainda nos assolam.
Por isso não pude comemorar. A imagem do terror e da perversidade contra o próximo ecoam, chocam. Mas o testemunho e a visão de Dallaire sobre o genocídio cometido pelos Hutus na etnia Tutsi me marcou e despertou uma energia nova: a do recomeço. Sempre podemos recomeçar e criar o bem a partir do mau.
Acredito que, assim como o General teve momentos de solidão, desespero e sentiu-se muitas vezes imobilizado diante do caos e da tragédia, o voluntário também enfrenta sentimentos semelhantes, mas deve, prosseguir, persistir naquilo em que acredita.
O que torna pessoas como Dallaire e todos aqueles que devotam seu tempo, atenção e esforços pelo próximo tão especiais, é que elas anseiam por mudar o mundo. Seja com pequenos gestos e reuniões aos sábados para criar ações voluntárias efetivas, seja em grandes escritórios arrecadando fundos com poderosos empresários, os voluntários existem e refletindo sobre tudo o que vi, ouvi e aprendi em apenas uma reunião, mudei minha perspectiva.
Contradigo-me, pois agora sim, acredito que posso comemorar, pois o voluntariado é a manifestação de que, apesar de tudo, nunca podemos perder a fé nas pessoas e de que a ajuda sempre está a caminho.
Por Sarah M. M. Sampaio, associada do Clube 25 Franca.

Realmente, Sarah, há muito o que se fazer para podermos efetivamente comemorar (na essência da palavra) um "Dia do Voluntariado".
ResponderExcluirContudo, sou totalmente partidária da perspectiva com a qual você finalizou seu texto: muito também já é feito a cada dia e cabe a cada um de nós ampliar ainda mais a atuação do voluntariado em nosso meio! =)