segunda-feira, 27 de setembro de 2010

O Jovem como Propulsor da Mudança Social

Aconteceu no último sábado (25 de setembro) a primeira arrecadação de alimentos promovida pelo Clube 25 Franca. A ação foi realizada em conjunto com a Ordem Demolay de Franca e o NAREV - Núcleo de Apoio e Recuperação da Vida, para onde a arrecadação foi destinada. A ação se concretizou, promovendo um dia inesquecível no supermercado Wal-Mart. Foram algumas horas com valor inestimável. O contato com o diferente e o convívio com outros voluntários criaram laços fortes regidos pela vontade de auxiliar a causa.

Em um mundo extremamente desigual como o nosso, nos perguntamos o que pode ser feito para mudar a realidade que muitas vezes nos perturba. São ações como a realizada sábado que nos mostram que as oportunidades estão a nossa espera. O jovem possui um enorme potencial de intervir na situação e mudá-la. A juventude tem a habilidade de repartir suas visões de mundo, criar oportunidades, atrair outros que desejam participar do movimento. Aliar essa capacidade modificadora com a promoção do bem-estar social é avançar um degrau na escada que leva à igualdade. Poder transformar positivamente a cidade que acolhe a tantos em suas jornadas é um privilégio.

O Clube 25 Franca se mostra como o espaço de coligação da teoria com a prática, da juventude com a responsabilidade social. Com a realização da primeira ação voluntária fora das paredes do clube, percebemos o quão importante é um ambiente jovem para a efetividade de projetos sociais.

É de uma força incrível o sentimento que nos envolve quando ajudamos o outro. Ser voluntariado é fomentar um mundo mais justo, é contribuir sem exigências, é crescer como ser humano.

Por Virginia Góes, associada do Clube 25 Franca.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Quinta Reunião do Clube 25

Aconteceu no último sábado, dia 18 de setembro, a quinta reunião do Clube 25 com a temática "A Fome no Brasil e no Mundo".

Trechos do documentário Garapa, dirigido por José Padilha (mesmo diretor de Tropa de Elite e Ônibus 174), foram apresentados. O documentário é bastante interessante, pois retrata a vida de três famílias cearenses que vivem em uma situação de insegurança alimentar grave. Uma mistura de água e açúcar é dado às crianças para enganar a fome, daí o nome Garapa. Sem trilha sonora e filmado em preto e branco a situação de tensão é acentuada e facilmente sentida por quem assiste.

Os dados sobre a fome no Brasil mostram uma situação em que 7,5 milhões de brasileiro ainda vivem com menos de um dólar por dia, segundo o IPEA e, sabendo que a pobreza está diretamente relacionada com a fome, esses números também refletem parcialmente a quantidade de famintos no país.

Porém, não é por falta de comida que ainda encontramos pessoas nessa situação no país, pois uma pesquisa feita pela FAO-ONU (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, tradução da sigla em inglês) mostrou que o Brasil produz 25,7% a mais de alimentos do que necessita para alimentar toda sua população. Percebe-se, então, que o problema pode ser resolvido a partir de uma melhor distribuição de renda, do desenvolvimento de políticas que incentivem e financiem a agricultura familiar ou em coperativas, e que promovam uma melhor distribuição das terras no país.

No mundo a situação não é muito diferente. Mais de dez países só no continente africano são considerados altamente vulneráveis na questão da fome, ou seja, boa parte da população sofre grandes dificuldades alimentares. Tais problemas são decorrentes de políticas sociais ineficientes, guerras civis, desastres ambientas, geografia desfavorável (solos inférteis, ausência de fontes de água, clima hostil, etc), entre outros motivos.

A Cruz Vermelha aparece então com programas de distribuição de alimentos, fornecimento de instrumentos agrícolas e sementes mais resistentes às doenças, de aconselhamento da melhor forma de plantar, fornecimento de outros conhecimentos técnicos, bem como na criação de um manual que mostra as causas de desnutrição no mundo.

A temática da reunião foi escolhida para dar um incentivo a mais a todos para participarem da nossa I Campanha de Arrecadação de alimentos com o apoio do Wal-Mart. O intuito é doar todos os mantimentos arrecadados à instituição NAREV de Franca.

O NAREV - Associação Núcleo de Apoio e Recuperação da Vida atua na recuperação de dependentes químicos e no apoio à família. Toda a arrecadação de alimentos neste dia será destinada à instituição, cujas características de atuação são notáveis ao valorizar os hábitos saudáveis e promover a qualidade de vida, idéias que o Clube 25 Franca visa incentivar na cidade.

Assim, todos os envolvidos com o Clube 25 Franca estão convidados a participarem como voluntários das atividades de arrecadação no supermercado, demonstrando o impacto da atuação deste projeto da Cruz Vermelha na cidade em prol da instituição NAREV. Não deixem de prestigiar esta oportunidade!

Para mais informações sobre os horários de participação, mande um e-mail para franca@cvbsp.org.br

domingo, 19 de setembro de 2010

Desafio humanitário

[Segue abaixo um interessante comentário do voluntário Henrique Teixeira a respeito do furacão Karl e suas consequências humanitárias! Acompanhem!]

O furacão Karl, que se reduziu nas primeiras horas do dia 18 de setembro a tempestade tropical, provocou em sua passagem pelo México três mortos, severos danos à infraestrutura e fortes cheias de rios, informou a Defesa Civil do país. Autoridades deixaram vários estados em alerta máximo, além de prevenirem sobre grandes cheias futuras em 7 rios, dentre eles o Tuxpan.

Esse é um exemplo de grande desafio para a iniciativa humanitária, já que eventos destas proporções não só geram vítimas que necessitam da ajuda, mas também impede que esta efetivamente chegue às pessoas, devido à interdições das vias de acesso e ao eventual caos burocrático que toma lugar e atrasa as ações de socorro.

Assim, a função humanitária desempenhada por organizações como a Cruz Vermelha e os Estados é direcionada primeiramente aos desprovidos de suprimentos básicos como água, medicamentos e alimentos (principalmente os mais nutritivos e mantenedores da saúde dos indivíduos e que possibilitam atitudes dos capacitados, tais como a doação de sangue para os feridos) e que, se não fornecidos logo e em boas condições, agravam o cenário do desastre por aumentarem o número dos mortos e gravemente afetados (por exemplo, pela rápida disseminação de doenças).

A questão da neutralidade da Cruz Vermelha - um de seus princípios – em muito contribui para a prontidão de suas ações, já que a organização não representa, assim, um problema diplomático que atrapalharia sua entrada em qualquer território necessitado.

sábado, 11 de setembro de 2010

A crise humanitária no Paquistão

Diante de grandes catástrofes naturais, sendo essa uma de suas atribuições, o trabalho da Cruz Vermelha se faz presente e é extremamente necessário. Como exemplos da atuação dessa organização humanitária internacional têm-se as recentes inundações ocorridas no Paquistão. Um quinto do território do país foi alagado, provocando centenas de mortes, fome e destruição de casas sem precedentes. De acordo com as últimas estimativas, as cheias no Paquistão, as quais tiveram início em finais de Julho, resultaram já em 1600 mortos, 2 mil feridos e mais de 20 milhões de pessoas afetadas.

O Objetivo prioritário no Paquistão da ajuda humanitária trata-se da distribuição de alimentos, água potável e atendimento médico a cerca de 1,4 milhão de pessoas. Para tanto, o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) pediu 59 milhões de euros para realizar a distribuição, uma vez que os maiores obstáculos são de logística. Certas áreas do Paquistão são de difícil acesso e os problemas de insegurança – como o atentado ocorrido múltiplo perpetrado no dia 1 de setembro contra uma procissão da corrente islâmica minoritária xiita na cidade oriental paquistanesa de Lahore, no qual 35 pessoas morreram – são algo a mais a ser enfrentado.

Além disso, a ajuda humanitária internacional enfrenta uma excessiva crítica da imprensa. Em depoimento, um membro da Cruz Vermelha declarou que apesar da consciência do quanto ainda falta para ser realizado, o esforço dos voluntários é grande. A colaboração e apoio do governo paquistanês estão tendo caráter fundamental. Além destas baixas já registradas, persiste ainda o medo, nas diversas províncias inundadas, de surtos de doenças associadas à água, como a malária, a disenteria ou a cólera. De acordo com o presidente da Cruz Vermelha Portuguesa, não se deve “negligenciar esta situação no Paquistão, apesar da pouca cobertura mediática. Esta é uma crise humanitária de enormes proporções, que privou milhões de pessoas das suas casas, posses e meios de subsistência”.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Dia Nacional do Voluntariado no Clube 25 Franca

[O associado do Clube 25 Franca Vinícius Santiago nos proporciona uma interessante visão sobre as discussões da última reunião do grupo na cidade, confiram abaixo!]

No dia 28 de agosto de 2010, foi realizada na cidade de Franca a quarta reunião do projeto da Cruz Vermelha, o Clube 25. Com a participação de jovens entre 18 e 25 anos, o projeto tem como objetivo incentivar a doação de sangue entre os jovens nessa faixa etária e, além disso, proporcionar aos participantes o envolvimento com os hábitos saudáveis e o voluntariado. Neste encontro, os participantes assistiram a um documentário sobre o conflito em Ruanda da década de 1990 e trechos do filme “Hotel Ruanda”, de onde surgiu um debate acerca das dificuldades encontradas em um conflito de grande amplitude como este.

Muitas questões foram abordadas nesta reunião, dentre elas foi discutido o fato de que a omissão dos Estados neste tipo de conflito aumenta as consequências catastróficas, além de perpetuar o desrespeito, a intolerância, a violência e o ódio que permeiam uma sociedade cada vez mais presa às hostilidades geradas por potências que um dia interferiram nessas regiões de sensível diversidade. Um contraponto à ausência do Estado, também discutido no encontro, são as organizações não-governamentais (ONGs) e organizações supranacionais, em que suprem a falta de um Estado na mediação do conflito, ou mesmo que complementem as ações de um governo somando, assim, forças para se chegar a uma solução.

Nesse sentido, a Cruz Vermelha Internacional, como pode ser visto no filme “Hotel Ruanda”, possui desde sua criação um papel fundamental nos conflitos humanitários, atuando de forma a prestar assistências a vítimas de guerra, violência e catástrofes naturais. E, para isso, o trabalho do voluntariado é imprescindível.

No entanto, a dificuldade em atrair voluntários para este tipo de ação é evidente e pode tornar-se um impasse para a assistência humanitária. Este foi outro ponto debatido entre os jovens do projeto.

Para ser voluntário é preciso que o ser humano se sensibilize diante de uma situação como a do conflito de Ruanda, por exemplo, e sinta uma natural necessidade de agir. É preciso que todos percebam a real importância de um trabalho voluntário, quer seja em conflitos humanitários ou na doação de sangue, e seu impacto positivo para uma sociedade mais solidária e humana. O clube 25, dessa forma, dá um grande passo a fim de unir jovens engajados que contribuam para uma causa nobre: a doação de sangue.

No Dia Nacional do Voluntariado, 28 de agosto, um grupo de jovens refletiu sobre uma questão tão crucial na humanidade com a esperança de que um dia o desejo de ser voluntário faça parte da vida de milhões de pessoas no mundo todo.

Por Vinícius Santiago, associado do Clube 25 Franca.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Dia do Voluntário: Um dia para celebrar?

Neste sábado último, 28 de Agosto, comemorou-se o Dia Nacional do Voluntário.

Não posso afirmar, contudo, que minha primeira impressão tenha sido de celebração. Acredito que só festejaria quando essa data não mais existir. Isto significaria que, finalmente, os voluntários não são mais necessários. A humanidade é pacífica, convive em harmonia com a Terra e todos os outros seres vivos- todos são tratados com dignidade, respeito e possuem tudo o que é necessário para viver em paz. O mundo é finalmente, um lar para todos.

Sabemos que não é assim. E não tem sido assim por séculos.

Durante a reunião do Clube 25 realizada no dia 28, tivemos a oportunidade de conhecer através do documentário Shake hands with the devil: The journey of Roméo Dallaire a experiência tocante e traumática do General Roméo Dallaire durante sua missão na guerra civil de Ruanda. E este foi apenas um pequeno retrato dentre inúmeros que ilustram catástrofes semelhantes, ou ainda maiores que já ocorreram e que ainda nos assolam.

Por isso não pude comemorar. A imagem do terror e da perversidade contra o próximo ecoam, chocam. Mas o testemunho e a visão de Dallaire sobre o genocídio cometido pelos Hutus na etnia Tutsi me marcou e despertou uma energia nova: a do recomeço. Sempre podemos recomeçar e criar o bem a partir do mau.

Acredito que, assim como o General teve momentos de solidão, desespero e sentiu-se muitas vezes imobilizado diante do caos e da tragédia, o voluntário também enfrenta sentimentos semelhantes, mas deve, prosseguir, persistir naquilo em que acredita.

O que torna pessoas como Dallaire e todos aqueles que devotam seu tempo, atenção e esforços pelo próximo tão especiais, é que elas anseiam por mudar o mundo. Seja com pequenos gestos e reuniões aos sábados para criar ações voluntárias efetivas, seja em grandes escritórios arrecadando fundos com poderosos empresários, os voluntários existem e refletindo sobre tudo o que vi, ouvi e aprendi em apenas uma reunião, mudei minha perspectiva.

Contradigo-me, pois agora sim, acredito que posso comemorar, pois o voluntariado é a manifestação de que, apesar de tudo, nunca podemos perder a fé nas pessoas e de que a ajuda sempre está a caminho.

Por Sarah M. M. Sampaio, associada do Clube 25 Franca.