sábado, 13 de novembro de 2010

E a responsabilidade social?

O que eu vejo hoje são pessoas vinculando a tal da responsabilidade social ao cumprimento de deveres e obrigações por parte de indivíduos ou de uma empresa para com a sociedade em geral. E então eu me pergunto: será? Será que tudo se resume a fazer a sua parte porque é politicamente correto? Ou porque você vai ficar bem diante dos noticiários? Ou ainda, porque você vai conseguir a sua parte do bolo, no final? Será que as palavras "dever" e "obrigação" são, de fato, apropriadas nessa situação?

Sem pretensão alguma, eu digo que não. Para todas as respostas, digo não.

Não há qualquer conexão entre a minha concepção de tal expressão com a retribuição de algo alcançado. O que se vê são apropriações, pelos mais diversos motivos. E sem querer tirar os créditos dessas ações, há sim utilidade nelas, há sim preocupação, há inclusive corações batendo por um bem comum por trás de tudo. Talvez, ingenuamente, eu acredite nisso, mas, quando ouço alguém dizer: "Eu já faço um pouco, você está fazendo um pouco agora, e se todos fizessem um pouquinho, nós teríamos um mundo melhor.", tirando todos os clichês possíveis, é o que ainda me faz ter uma visão ingênua, no sentido mais positivo da palavra, das coisas.

Eu desvincularia obrigação de responsabilidade, ou encontraria outro substantivo que não possuísse o mesmo peso que a primeira. Essa seria a minha apropriação de responsabilidade social: um pouco de atenção, um pouco de afeto, um pouco de dedicação, nada de cobiça ou imposição. Sem qualquer conotação religiosa ou política, apenas fazer porque todos sofremos pelas mesma dores, choramos e sorrimos pelos mesmos motivos. E com o perdão dos clichês, porque somos todos seres humanos.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Alguém se lembra?

Esta é uma pergunta que eu estava me fazendo estes dias atrás. Estava olhando umas notícias internacionais e vi uma que falava sobre as condições sanitárias do Haiti, depois do terremoto. Foi aí que me me lembrei do que aconteceu ali no começo do ano. E naturalmente surgiu esta pergunta: Alguém mais se lembra?

E acredito que não precisamos ir tão longe para demonstrar nosso esquecimento com os acontecimentos que se sucederam a nossa volta. Alguém se lembra, a não ser que seja lembrado é claro, das enchentes do final do ano? Do deslizamento em Angra, na virada? Poderia ficar aqui citando outros tantos eventos catastróficos que ocorreram e que nós nem se quer lembramos como foi. No final de ano, na retrospectiva da TV, aí falamos: "Nossa, é verdade, aconteceu isso mesmo".

Não estou condenando nem um pouco nossa memória, pois é até um processo natural, dado a quantidade de acontecimentos que todo dia presenciamos. O que me faz pensar é se ainda nos importamos com eventos que ocorreram faz um tempo e que já não tem mais relevância para nós. Acho que seja esta a questão central. Quem assiste tudo de longe, com certeza se emociona e se comove imediatamente, porém será que este sentimento se mantem? Logo que acontece outra catástrofe ou que começa o Carnaval ou a Copa do Mundo, é quase automático que esquecemos os anteriores.

Qual seria a razão de tudo isto? Gostaria de acreditar que não fosse o egoísmo de nossa sociedade, que só se preocupa com o que lhe interessa. Seria a mídia, que consegue nos prender para os eventos atuais e esquece os passados, pois a notícia já não é tão nova? Neste sentido, talvez seja interessante um exercício de memória no qual tentemos resgatar aqueles acontecimentos em que na época nos comovemos, para então comparar o que pensamos dele agora, se ainda possuímos o mesmo sentimento ou se eles já não significam mais para nós.

De qualquer forma, lembrando deles ou não, a verdade é que estes acontecimentos citados, e tantos outros, ainda afetam várias pessoas diariamente e a grande parte da sociedade, voluntária ou involuntariamente, acaba virando as costas para lidar com seus próprios problemas.