As campanhas de doação de sangue, mais que a promoção de um ato de solidariedade, é uma das formas de fomentar uma modificação social através da saúde. Foi com esse pensamento que o Projeto Clube 25 foi pensado no Zimbábue em 1989, com a finalidade de promover a doação de sangue e concomitantemente hábitos saudáveis para dirimir/estabilizar o número de pessoas contaminadas pelo HIV.O Clube 25 ao propor um comprometimento dos associados com doação, de sangue de 3 a 4 doações anuais, não só contribui para o estoque dos bancos sanguíneos, como também incentiva os sujeitos participantes do projeto a zelarem pela saúde, uma fez que o gozo pleno desta é de extrema importância para manter-se doador. Ao buscar orientar um grupo de pessoas sobre como manter a plena saúde, o projeto faz um trabalho de educação social, pois os indivíduos receptores de tais orientações, mudarão o modo que interagem com a coletividade e multiplicarão os valores praticados.
Mas até que ponto que a doação de sangue pode realmente mudar o comportamento de um grupo de indivíduos? No último dia 19 de outubro, o caráter de “doação voluntária” foi colocado em questão com a campanha “Doe sangue pelo seu time”, instituída pela Lei estadual 5.816/10 desde o dia 8 de setembro. Pelo decreto, o torcedor que doar sangue voluntariamente recebe um ingresso para assistir ao jogo do seu time de futebol. Segundo os defensores da medida, a intenção é aumentar os bancos de sangue dos hospitais, uma vez que, hoje cerca de apenas 1,5% da população brasileira é doadora de sangue, índice muito baixo em relação a demanda, que é de 5500 litros de sangue por dia em todos os hospitais do país. Mas para a antagônicos a lei é inconstitucional.
Ao oferecer algo em troca pela doação, segundo os opositores a esse decreto, é fazer com que o número de pessoas que mentem durante a entrevista aumente, de modo a dificultar o trabalho dos hemocentros. A argumentação é ainda complementada pela Lei federal que diz: a doação de sangue tem que ser “voluntária, altruísta e não remunerada direta ou indiretamente”.
Agora, ao tentarmos responder a questão anterior, vê que a doação de sangue, não é apenas um ato, necessita também de uma educação/ orientação para poder exercê-la, só a partir da reflexão sobre como agir é que a sociedade consegue incorporar mudanças. Uma vez que se estipula um preço de barganha na doação de sangue, promove-se uma mercantilização das ações sociais voluntárias, ignorando assim sua real finalidade.
Pensar na Doação de Sangue, não é simplesmente comparecer alguns dias do ano a um hemocentro, é desenvolver uma cultura de valorização do próximo e respeito a vida. E por ser pautado nessas concepções, o Clube 25 é mais que um projeto constituído por um determinado grupo de voluntários, é um instrumento de modificação social.