quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Alguém se lembra?

Esta é uma pergunta que eu estava me fazendo estes dias atrás. Estava olhando umas notícias internacionais e vi uma que falava sobre as condições sanitárias do Haiti, depois do terremoto. Foi aí que me me lembrei do que aconteceu ali no começo do ano. E naturalmente surgiu esta pergunta: Alguém mais se lembra?

E acredito que não precisamos ir tão longe para demonstrar nosso esquecimento com os acontecimentos que se sucederam a nossa volta. Alguém se lembra, a não ser que seja lembrado é claro, das enchentes do final do ano? Do deslizamento em Angra, na virada? Poderia ficar aqui citando outros tantos eventos catastróficos que ocorreram e que nós nem se quer lembramos como foi. No final de ano, na retrospectiva da TV, aí falamos: "Nossa, é verdade, aconteceu isso mesmo".

Não estou condenando nem um pouco nossa memória, pois é até um processo natural, dado a quantidade de acontecimentos que todo dia presenciamos. O que me faz pensar é se ainda nos importamos com eventos que ocorreram faz um tempo e que já não tem mais relevância para nós. Acho que seja esta a questão central. Quem assiste tudo de longe, com certeza se emociona e se comove imediatamente, porém será que este sentimento se mantem? Logo que acontece outra catástrofe ou que começa o Carnaval ou a Copa do Mundo, é quase automático que esquecemos os anteriores.

Qual seria a razão de tudo isto? Gostaria de acreditar que não fosse o egoísmo de nossa sociedade, que só se preocupa com o que lhe interessa. Seria a mídia, que consegue nos prender para os eventos atuais e esquece os passados, pois a notícia já não é tão nova? Neste sentido, talvez seja interessante um exercício de memória no qual tentemos resgatar aqueles acontecimentos em que na época nos comovemos, para então comparar o que pensamos dele agora, se ainda possuímos o mesmo sentimento ou se eles já não significam mais para nós.

De qualquer forma, lembrando deles ou não, a verdade é que estes acontecimentos citados, e tantos outros, ainda afetam várias pessoas diariamente e a grande parte da sociedade, voluntária ou involuntariamente, acaba virando as costas para lidar com seus próprios problemas.

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