domingo, 19 de dezembro de 2010

Feliz 2011!

Feliz Natal e Ótimo Ano Novo a todos, especialmente aos associados e voluntários do Clube 25 Franca! Que 2011 seja um ano iluminado, repleto de realizações sociais! Que a mensagem abaixo, de autoria de Carlos Drummond de Andrade, possa traduzir os melhores desejos de bons ares para o ano vindouro...

Receita de Ano Novo

"Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação como todo o tempo já vivido
(mal vivido ou talvez sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser,
novo até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanhe ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?).
Não precisa fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar de arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto da esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um ano-novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.

É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre."

[...]

domingo, 5 de dezembro de 2010

Esperança voluntária

Ser voluntário é ser doador. Doador de tempo, de dedicação, de disposição, de energia, de vontade, de fé, de idéias, de mais vontade ainda, de alegria, de sorrisos, de sangue, de suor, de ideais, de boas vibrações e, enfim, de esperança...

O Clube 25 Franca nasceu de um misto desses tipos de doações por parte de vários jovens e engajados voluntários na cidade. Doações que, a princípio, não tinham um rumo definido. A disposição em trabalhar com o voluntariado da Cruz Vermelha era enorme e o espírito que nasceu, por assim dizer, com duas pessoas se transformou em um sonho compartilhado por muitas outras.

Já diria o ditado que “Sonho que se sonha só, é só um sonho que se sonha só, mas sonho que se sonha junto é realidade”. Particularmente acredito que há mais verdade nessa frase do que comumente se pode imaginar. E 2009 foi um ano para sonharmos juntos. Muitas incertezas permeavam toda a disposição e a dedicação por parte dos jovens envolvidos – com os quais hoje digo que tive o enorme prazer de compartilhar tantos bons momentos –, mas a certeza de que o trabalho seria possível sempre existiu.

O ano de 2009 passou. E com este ano também passaram muitas experiências que possibilitaram a visualização do Clube 25 Franca em 2010. A concretização deste trabalho, contudo, ainda exigiria muitas das doações supracitadas por parte de cada voluntário. E estas vieram. Das formas mais diversas, nas reuniões mais longas e nos mais diversos horários, nos muitos momentos de compartilhamento de expectativas e perspectivas, etc.

Assim, tornou-se possível o lançamento oficial do primeiro projeto da Cruz Vermelha em Franca. O dia 12 de junho de 2010 representa um marco que deve ser lembrado. Todos os esforços foram empenhados para que este lançamento se tornasse possível. E o dia foi memorável, apesar de as incertezas assumirem diferentes formas, exigindo cada vez mais esforços dos envolvidos para entender as melhores formas de transmitir a mensagem do projeto aos jovens francanos.

Certamente o grupo de voluntários não imaginava quantas dificuldades ainda seriam enfrentadas no decorrer do segundo semestre de 2010 para o desenvolvimento do projeto. Mas também não era possível imaginar quantas alegrias seriam conseqüentes deste mesmo desenvolvimento. Cada reunião trouxe aos participantes uma oportunidade de exercer o mais puro anseio voluntário de variadas formas: seja arrecadando alimentos, preparando saquinhos de doces, assistindo a documentos ou mesmo discutindo questões humanitárias em uma sala de aula universitária.

O ano de 2010 também passou. Mas certamente não passaram as lembranças de cada passo de evolução do projeto. E não passaram as expectativas de que 2011 seja um ano ainda mais iluminado para todos aqueles que seguirão firmemente com a importante tarefa de disseminar a esperança e o trabalho voluntário por meio do Clube 25 Franca. Estas permanecem e devem motivar cada jovem em seu processo peculiar de compreensão da melhor forma de fazer a diferença no mundo.

E que 2011 seja mais um ano a se passar com todos os possíveis desafios e sucessos relativos a este trabalho. Na certeza de que o projeto se encontra em boas mãos, aqueles que porventura não possam mais atuar presencialmente como voluntários seguem apoiando-o, acreditando em seu potencial e sonhando junto, com a esperança de que este cresça a cada dia. Afinal, é preciso:

“Saber que se puede querer que se pueda
Quitarse los miedos sacarlos afuera
Pintarse la cara color esperanza
Tentar al futuro con el corazón.” [...]

E que assim seja...

sábado, 13 de novembro de 2010

E a responsabilidade social?

O que eu vejo hoje são pessoas vinculando a tal da responsabilidade social ao cumprimento de deveres e obrigações por parte de indivíduos ou de uma empresa para com a sociedade em geral. E então eu me pergunto: será? Será que tudo se resume a fazer a sua parte porque é politicamente correto? Ou porque você vai ficar bem diante dos noticiários? Ou ainda, porque você vai conseguir a sua parte do bolo, no final? Será que as palavras "dever" e "obrigação" são, de fato, apropriadas nessa situação?

Sem pretensão alguma, eu digo que não. Para todas as respostas, digo não.

Não há qualquer conexão entre a minha concepção de tal expressão com a retribuição de algo alcançado. O que se vê são apropriações, pelos mais diversos motivos. E sem querer tirar os créditos dessas ações, há sim utilidade nelas, há sim preocupação, há inclusive corações batendo por um bem comum por trás de tudo. Talvez, ingenuamente, eu acredite nisso, mas, quando ouço alguém dizer: "Eu já faço um pouco, você está fazendo um pouco agora, e se todos fizessem um pouquinho, nós teríamos um mundo melhor.", tirando todos os clichês possíveis, é o que ainda me faz ter uma visão ingênua, no sentido mais positivo da palavra, das coisas.

Eu desvincularia obrigação de responsabilidade, ou encontraria outro substantivo que não possuísse o mesmo peso que a primeira. Essa seria a minha apropriação de responsabilidade social: um pouco de atenção, um pouco de afeto, um pouco de dedicação, nada de cobiça ou imposição. Sem qualquer conotação religiosa ou política, apenas fazer porque todos sofremos pelas mesma dores, choramos e sorrimos pelos mesmos motivos. E com o perdão dos clichês, porque somos todos seres humanos.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Alguém se lembra?

Esta é uma pergunta que eu estava me fazendo estes dias atrás. Estava olhando umas notícias internacionais e vi uma que falava sobre as condições sanitárias do Haiti, depois do terremoto. Foi aí que me me lembrei do que aconteceu ali no começo do ano. E naturalmente surgiu esta pergunta: Alguém mais se lembra?

E acredito que não precisamos ir tão longe para demonstrar nosso esquecimento com os acontecimentos que se sucederam a nossa volta. Alguém se lembra, a não ser que seja lembrado é claro, das enchentes do final do ano? Do deslizamento em Angra, na virada? Poderia ficar aqui citando outros tantos eventos catastróficos que ocorreram e que nós nem se quer lembramos como foi. No final de ano, na retrospectiva da TV, aí falamos: "Nossa, é verdade, aconteceu isso mesmo".

Não estou condenando nem um pouco nossa memória, pois é até um processo natural, dado a quantidade de acontecimentos que todo dia presenciamos. O que me faz pensar é se ainda nos importamos com eventos que ocorreram faz um tempo e que já não tem mais relevância para nós. Acho que seja esta a questão central. Quem assiste tudo de longe, com certeza se emociona e se comove imediatamente, porém será que este sentimento se mantem? Logo que acontece outra catástrofe ou que começa o Carnaval ou a Copa do Mundo, é quase automático que esquecemos os anteriores.

Qual seria a razão de tudo isto? Gostaria de acreditar que não fosse o egoísmo de nossa sociedade, que só se preocupa com o que lhe interessa. Seria a mídia, que consegue nos prender para os eventos atuais e esquece os passados, pois a notícia já não é tão nova? Neste sentido, talvez seja interessante um exercício de memória no qual tentemos resgatar aqueles acontecimentos em que na época nos comovemos, para então comparar o que pensamos dele agora, se ainda possuímos o mesmo sentimento ou se eles já não significam mais para nós.

De qualquer forma, lembrando deles ou não, a verdade é que estes acontecimentos citados, e tantos outros, ainda afetam várias pessoas diariamente e a grande parte da sociedade, voluntária ou involuntariamente, acaba virando as costas para lidar com seus próprios problemas.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Doação de sangue: transformador social ou ingressos para o Brasileirão?

As campanhas de doação de sangue, mais que a promoção de um ato de solidariedade, é uma das formas de fomentar uma modificação social através da saúde. Foi com esse pensamento que o Projeto Clube 25 foi pensado no Zimbábue em 1989, com a finalidade de promover a doação de sangue e concomitantemente hábitos saudáveis para dirimir/estabilizar o número de pessoas contaminadas pelo HIV.

O Clube 25 ao propor um comprometimento dos associados com doação, de sangue de 3 a 4 doações anuais, não só contribui para o estoque dos bancos sanguíneos, como também incentiva os sujeitos participantes do projeto a zelarem pela saúde, uma fez que o gozo pleno desta é de extrema importância para manter-se doador. Ao buscar orientar um grupo de pessoas sobre como manter a plena saúde, o projeto faz um trabalho de educação social, pois os indivíduos receptores de tais orientações, mudarão o modo que interagem com a coletividade e multiplicarão os valores praticados.

Mas até que ponto que a doação de sangue pode realmente mudar o comportamento de um grupo de indivíduos? No último dia 19 de outubro, o caráter de “doação voluntária” foi colocado em questão com a campanha “Doe sangue pelo seu time”, instituída pela Lei estadual 5.816/10 desde o dia 8 de setembro. Pelo decreto, o torcedor que doar sangue voluntariamente recebe um ingresso para assistir ao jogo do seu time de futebol. Segundo os defensores da medida, a intenção é aumentar os bancos de sangue dos hospitais, uma vez que, hoje cerca de apenas 1,5% da população brasileira é doadora de sangue, índice muito baixo em relação a demanda, que é de 5500 litros de sangue por dia em todos os hospitais do país. Mas para a antagônicos a lei é inconstitucional.

Ao oferecer algo em troca pela doação, segundo os opositores a esse decreto, é fazer com que o número de pessoas que mentem durante a entrevista aumente, de modo a dificultar o trabalho dos hemocentros. A argumentação é ainda complementada pela Lei federal que diz: a doação de sangue tem que ser “voluntária, altruísta e não remunerada direta ou indiretamente”.

Agora, ao tentarmos responder a questão anterior, vê que a doação de sangue, não é apenas um ato, necessita também de uma educação/ orientação para poder exercê-la, só a partir da reflexão sobre como agir é que a sociedade consegue incorporar mudanças. Uma vez que se estipula um preço de barganha na doação de sangue, promove-se uma mercantilização das ações sociais voluntárias, ignorando assim sua real finalidade.

Pensar na Doação de Sangue, não é simplesmente comparecer alguns dias do ano a um hemocentro, é desenvolver uma cultura de valorização do próximo e respeito a vida. E por ser pautado nessas concepções, o Clube 25 é mais que um projeto constituído por um determinado grupo de voluntários, é um instrumento de modificação social.